{"id":2770,"date":"2021-06-09T00:00:00","date_gmt":"2021-06-08T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jesuitssouthern.africa\/2021\/06\/09\/st-jose-de-anchieta-1534-1597\/"},"modified":"2021-06-12T11:49:51","modified_gmt":"2021-06-12T09:49:51","slug":"st-jose-de-anchieta-1534-1597","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jesuitssouthern.africa\/pt-pt\/2021\/06\/09\/st-jose-de-anchieta-1534-1597\/","title":{"rendered":"9 de junho 1597 &#8211; St Jos\u00e9 de Anchieta (1534-1597)"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"279\" height=\"337\" src=\"https:\/\/jesuitssouthern.africa\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Anchieta.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2766\" srcset=\"https:\/\/jesuitssouthern.africa\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Anchieta.png 279w, https:\/\/jesuitssouthern.africa\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Anchieta-248x300.png 248w\" sizes=\"auto, (max-width: 279px) 100vw, 279px\" \/><figcaption>St Jos\u00e9 de Anchieta (1534-1597)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 de Anchieta foi um mission\u00e1rio jesu\u00edta, poeta e o primeiro autor brasileiro. Foi canonizado pelo Papa Francisco a 3 de abril de 2014. Conhecido como o &#8216;Ap\u00f3stolo do Brasil&#8217;, S\u00e3o Jos\u00e9 foi descrito pelo Padre Geral Adolfo Nicol\u00e1s SJ como &#8216;inspirador e extremamente relevante para os dias de hoje&#8217;.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 era de \u2018estatura mediana, magro, de esp\u00edrito forte e decidido, fei\u00e7\u00f5es bronzeadas, olhos azulados, testa larga, nariz largo, barba rala e com um rosto alegre e amigo\u2019. Passou 44 anos a percorrer o Brasil e a levar a Boa Nova do Evangelho aos seus povos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro de dez filhos nasceu em Tenerife (Ilhas Can\u00e1rias) em 1534. Cedo na vida foi enviado para estudar na Universidade de Coimbra (Portugal) e a\u00ed nasceu a sua voca\u00e7\u00e3o para a vida religiosa. Admitido no noviciado da Companhia em Portugal em 1551, Anchieta contraiu grave tuberculose \u00f3ssea aos 17 anos, causando uma vis\u00edvel curvatura nas costas. A sua ang\u00fastia de ser considerado in\u00fatil para o apostolado foi atenuada pelas palavras consoladoras de Sim\u00e3o Rodrigues, fundador da Prov\u00edncia portuguesa: \u2018N\u00e3o fiques triste com essa deforma\u00e7\u00e3o. Deus ama-te tal como \u00e9s\u2019. Al\u00e9m disso, foi encorajado por cartas do P. Manuel de N\u00f3brega no Brasil que proclamavam os benef\u00edcios do clima para a sa\u00fade em qualquer tipo de doen\u00e7a. E assim Anchieta, logo ap\u00f3s pronunciar os seus primeiros votos, foi para l\u00e1 a 8 de mar\u00e7o de 1553, aos 19 anos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um paradoxo que este jovem jesu\u00edta, que se supunha ser fisicamente fr\u00e1gil, tenha exercido uma intensa actividade apost\u00f3lica durante os 44 anos seguintes, at\u00e9 \u00e0 sua morte, aos 63 anos. &#8216;N\u00e3o basta sair de Coimbra&#8217;, escreveu ele aos seus irm\u00e3os, &#8216;com um fervor que logo murcha, antes mesmo de cruzar o equador e desejar voltar para Portugal. \u00c9 necess\u00e1rio ter os alforjes cheios para durar at\u00e9 ao final do dia\u2019.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O P. Geral Nicol\u00e1s escreveu: \u201cOs desafios da nossa miss\u00e3o hoje exigem cada vez mais \u2018a revitaliza\u00e7\u00e3o do corpo apost\u00f3lico\u2019da Companhia. A fonte da qual Anchieta tirou a sua vitalidade apost\u00f3lica foi a sua profunda experi\u00eancia espiritual. A solidez da sua reputa\u00e7\u00e3o como santo e fazedor de milagres repousa no seu amor, ora\u00e7\u00e3o, humildade e servi\u00e7o\u201d. Um jesu\u00edta que conheceu Anchieta descreveu-o como sendo &#8216;um homem fiel, prudente e humilde em Cristo, muito querido por todos, de quem ningu\u00e9m se queixa, nem me \u00e9 poss\u00edvel encontrar nele uma palavra ou a\u00e7\u00e3o em que ele tenha feito algo errado&#8217;. Amigo sincero de todos, Anchieta soube combinar a bondade com o rigor e a firmeza, como Santo In\u00e1cio desejava em todo o bom superior. Apesar das suas doen\u00e7as muito vis\u00edveis, o seu tempo como provincial foi din\u00e2mico e fecundo.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como j\u00e1 foi mencionado, ele viajou constantemente e dedicou-se a um estudo profundo da l\u00edngua tupi, o que ao mesmo tempo lhe permitiu uma grande atividade mission\u00e1ria e catequ\u00e9tica. Nomeado provincial em 1577, fez visitas cont\u00ednuas \u00e0s casas e comunidades jesu\u00edtas. Para o povo era pai e tratava dos doentes e dos que sofriam, era tamb\u00e9m conselheiro de governadores e ao mesmo tempo amigo e defensor da popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1595 ele ficou livre das responsabilidades do governo, mas restavam-lhe apenas dois anos de vida. Usou-os em parte para escrever uma Hist\u00f3ria da Companhia de Jesus no Brasil, uma obra da qual restam apenas fragmentos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O P. Geral Nicol\u00e1s continua: \u00abAnchieta n\u00e3o foi movido a uma vida itinerante por um esp\u00edrito de aventura, mas sim por um esp\u00edrito de disponibilidade para a miss\u00e3o, de liberdade espiritual e de prontid\u00e3o para procurar e encontrar a cada momento a vontade do Senhor. Um verdadeiro fogo apost\u00f3lico acompanhou-o at\u00e9 o fim\u00bb.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o P. N\u00f3brega, Jos\u00e9 de Anchieta participou da funda\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro e escreveu uma obra em latim sobre isso. Escreveu tamb\u00e9m um drama religioso intitulado <em>Prega\u00e7\u00e3o Universal<\/em>, inspirado na cerim\u00f3nia de recep\u00e7\u00e3o ind\u00edgena a pessoas ilustres e aqui introduziu na l\u00edngua tupi a t\u00e9cnica de verso e estrofe t\u00edpica do teatro portugu\u00eas. Soube colocar ao servi\u00e7o da miss\u00e3o os seus dons de humanista: o dom\u00ednio da gram\u00e1tica, o gosto pelos cl\u00e1ssicos latinos e a sua habilidade na orat\u00f3ria. Com grande fecundidade, comp\u00f4s em tupi os Di\u00e1logos da F\u00e9 (um catecismo popular da doutrina crist\u00e3) e adaptou pequenos textos para a prepara\u00e7\u00e3o para o batismo e a confiss\u00e3o. Tamb\u00e9m escreveu uma gram\u00e1tica tupi.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sempre agente de reconcilia\u00e7\u00e3o, envolveu-se profundamente no di\u00e1logo com os \u00edndios Tamoyo, a ponto de ser feito ref\u00e9m e de viver entre eles como prisioneiro durante cinco meses. Quando a paz foi estabelecida com os Tamoyos e ele recebeu a sua liberdade, escreveu um longo poema a Maria na areia, j\u00e1 que n\u00e3o tinha papel. Memorizou o que havia escrito e transcreveu-o mais tarde. O folclore popular, adaptado como m\u00fasica religiosa, auxiliou-o nas apresenta\u00e7\u00f5es de dramas em portugu\u00eas e em tupi. Foi incessante a sua atividade de enriquecimento da pastoral e da catequese entre o povo com apresenta\u00e7\u00f5es teatrais festivas. Considerou indispens\u00e1vel o conhecimento da psicologia ind\u00edgena. \u00abTemos muitos motivos para agradecer ao Papa Francisco por apresentar Jos\u00e9 de Anchieta ao mundo como um novo e not\u00e1vel exemplo de santidade\u00bb, escreveu o P. Nicol\u00e1s em 2014. \u00abPara a Companhia de Jesus \u00e9 uma ocasi\u00e3o para renovar com intensidade a busca dos horizontes que perseguiu e que s\u00e3o sempre novos: sensibilidade diante da diversidade \u00e9tnica e do pluralismo religioso, cultural e social; o desenvolvimento incans\u00e1vel de uma nova liberdade criativa e uma capacidade respons\u00e1vel de improvisa\u00e7\u00e3o; a busca constante de express\u00f5es inculturadas da experi\u00eancia crist\u00e3 e evangelizadora\u201d.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>por Pe. David Harrold-Barry, S.J.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 de Anchieta foi um mission\u00e1rio jesu\u00edta, poeta e o primeiro autor brasileiro. 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